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ENTREVISTA Biomassa traz maior qualidade para energia. Por: Priscila Castro
Luiz Otávio Koblitz tem 61 anos e é graduado em Engenharia Elétrica pela Escola Politécnica de Pernambuco (UPE) e técnico em Mecânica de Máquinas pelo CEFET-PE (Centro Federal Tecnológico de Pernambuco), onde mais tarde atuou como professor, supervisor e diretor do curso de engenharia. A convite do Departamento de Águas e Energia (DAE), realizou um curso de formação elétrica na Eletricité France e adquiriu conhecimentos específi cos em geração e cogeração de energia. Em 1974, Luiz criou a Ômega Engenharia Ltda. com o propósito de atender à Usina Petribú, e a empresa logo ganhou novos contratos. Em 1975, abriu a KOBLITZ ENGENHARIA LTDA. Ecoenergia - Até 2030, no Brasil, deverá crescer a demanda de energia elétrica a uma taxa de 4,4% ao ano. Qual a importância desse crescimento? Luiz Otávio - Dentro de 22 anos estaremos consumindo o dobro das nossas atuais necessidades. Para que se tenha uma ideia do quanto é importante esse crescimento, no mesmo período, países como os Estados Unidos da América crescerão 2,8% a.a., o Japão, 0,8% a.a. e o continente europeu, 1,5% a.a. Os únicos dois grandes países que crescerão a taxas superiores à do Brasil são também emergentes: a Índia, com 5,4% a.a., e a sempre China, com 7,7% a.a. Construir no período de 22 anos um parque gerador de energia elétrica do mesmo tamanho que o existente hoje, que foi estruturado nos últimos 60 anos, além de somar a isso os necessários cuidados ambientais hoje existentes, é, portanto, um grande desafi o, que não poderá prescindir da biomassa.. Ecoenergia - Qual sua opinião sobre a geração de energia limpa por meio da biomassa? Luiz Otávio - A geração de energia elétrica com base em biomassa é uma das principais fontes para garantir o suprimento seguro e ambientalmente correto para o Brasil nas próximas décadas. Por ser de energia limpa,essa energia alternativa traz vantagens sobre a energia convencional e oferece inúmeros benefícios. Ecoenergia - Algumas pessoas dizem que a biomassa teria muitos benefícios, quais seriam eles?
Luiz Otávio - Destaco abaixo cinco dos principais benefícios, que fazem da biomassa, na minha opinião, a melhor fonte de energia de que dispomos:1.É uma fonte de energia renovável - O balanço de emissão de CO2 para atmosfera é praticamente nulo; 2.É uma fonte de energia a preço - Ou seja, não aumenta o custo da matriz energética do país, Pois com energia cara inviabilizaremos a competitividade de muitos setores da nossa indústria; 3.É uma fonte de energia distribuída - Devido ao porte das grandes hidrelétricas, que geram 75% da energia consumida no Brasil, a energia produzida não é consumida nas cercanias. Viaja grandes distâncias em linhas de transmissão, requerendo grandes investimentos e produzindo perdas consideráveis. A geração de energia com biomassa, cuja média da potência instalada por unidade é menor que 50 MW, ao contrário das grandes fontes, é consumida nas proximidades, requerendo pequenos investimentos em transmissão, produzindo pequenas perdas ou, em muitos casos, diminuindo perdas existentes na região. A biomassa está geograficamente distribuída e junto ao seu consumo, evitando e/ou postergando, investimentos complementares; 4.É uma fonte de energia que não importa equipamentos e/ou combustível - As usinas a carvão importam tanto os equipamentos como, em muitos casos, o proprio carvão. As usinas a gás natural importam os equipamentos e, em alguns casos, o gás natural liquefeito por criogenia. As usinas de biomassa são como as hidrelétricas, fabricamos tudo no Brasil, e o combustível é também produzido aqui. Não podemos e não devemos esquecer a balança comercial brasileira, além dos nossos empregos, é claro; 5.É uma fonte de energia que ajuda no planejamento energético - Planejar com precisão um país emergente com grande futuro, como o Brasil, é um exercício de futurologia. As variáveis são muitas, as necessidades também e as fontes tradicionais de qualidade, como as grandes hidrelétricas, somente são executadas em longo prazo. Podemos sempre errar para mais ou para menos com grandes desvios, e quando for para menos, a solução não é sujar a matriz energética com usinas de curto prazo a óleo. A solução é estimular usinas com curto prazo de execução com qualidade, como as usinas a biomassa e/ou as Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs). Tempo curto de implantação é uma ferramenta de planejamento do setor elétrico, capaz de corrigir desvios com qualidade. Ecoenergia - Poderíamos falar um pouco sobre energia elétrica a partir de biomassa? Como você definiria essa fonte de energia? Luiz Otávio - O potencial de energia elétrica a partir da biomassa no Brasil é muito grande. Podemos dividi-lo em duas partes: 1.Biomassa residual de processos já existentes - tais como o bagaço de cana-deaçúcar, casca-de-arroz, resíduos fl orestais e industriais de madeira, gás pobre de alto forno (alimentado com carvão vegetal), cama de aviário e até mesmo o lixo urbano, que tem 50% de biomassa. Esses dois últimos estão disponíveis e causam transtornos ao meio ambiente. O potencial é enorme. Na cana-de-açúcar temos mais de 20% da energia hoje gerada no Brasil, no lixo urbano, 15%, as demais fontes somadas passam de 10%, ou seja, quase 50% do nosso atual Brasil. Nada precisa ser plantado, está tudo à fl or da pele, pedindo para ser aproveitado. 2.Biomassa proveniente de fl orestas plantadas para geração exclusiva de energia elétrica - já são muitos projetos no Brasil, alguns em construção, aproveitando terrenos abandonados e/ou subutilizados, em regiões de baixa produtividade agrícola. As principais espécies são o eucalipto e o capim elefante. O potencial é gigantesco e muitas vezes maior que toda nossa energia gerada hoje no Brasil. Porém se faz necessário fazer um zoneamento agrícola, para que não concorra com a produção de alimentos. Ecoenergia - Qual seria sua perspectiva sobre o futuro da energia gerada através do uso de biomassa? Luiz Otávio - O futuro reserva à biomassa uma posição de destaque entre as energias primárias que serão utilizadas para a geração de energia elétrica. Os países dos trópicos irão liderar essa tendência, e o Brasil, como atual líder, tanto na utilização desse combustível, como na fabricação dos equipamentos que o converte em energia elétrica, tem totais condições de permanecer nesta liderança e, em 2030, quando o consumo deverá duplicar com relação ao ano de 2008, ter a biomassa como fornecedor de 30% dessas futuras necessidades. Não vamos perder mais tempo: o futuro feliz não chega, se constrói dia a dia! |
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