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EFICIÊNCIA ENERGÉTICA Oportunidades e Desafios da Eficiência Energética no contexto das Mudanças Climáticas. Em nosso último artigo: “Mudanças Climáticas e Fontes Renováveis de Energia: Escolhas do Passado e Opções de Futuro”, destacamos o papel das fontes renováveis de energia como forma de reduzir os impactos ambientais advindos com o desenvolvimento propiciado pela sociedade contemporânea. Ressaltamos, ainda, a importância da Conferência do Clima de Copenhague como forma de contribuir decisivamente para a redução das emissões de gases do efeito estufa (GEE), visando à mitigação das mudanças climáticas. A redução da atividade econômica, a exemplo da desencadeada pela bolha imobiliária ocorrida nos EUA, pode contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa. Entretanto, há que se preconizar o desenvolvimento econômico diante do fato de que 25% da população mundial, cerca de 1,6 bilhão de pessoas, não têm acesso à eletricidade e, na ausência de uma nova política vigorosa, 1,4 bilhão permanecerá assim até 2030. Como forma de contribuir para o necessário aumento da produção de energia, a fi m de incorporar grandes massas humanas a um patamar adequado de conforto e bem-estar, deve-se incentivar ao máximo o uso de fontes energéticas renováveis, apesar dos impactos ambientais presentes em todas as diferentes tecnologias de geração de energia.
Adicionalmente, a efi ciência energética, termo genérico que pode ser referido a um menor uso de energia para produzir a mesma quantidade de bem e/ou serviço, é um poderoso instrumento, atuando como ferramenta de aumento de disponibilidade de energia, independentemente do aumento da geração. Cabe frisar ainda que, indiretamente, a efi ciência da consecução de um processo ou do modo de produção resulta numamaior eficiência energética.De acordo com o Balanço Energético Nacional 2008 (“BEN 2008”), a cana-de-açúcar ocupa o 2º lugar na participação da oferta interna de energia. Sua efi ciência média de assimilação pode atingir 2,5% dos raios solares, enquanto a média nos processos fotossintéticos em biomassa é de 1%. A fi xação da energia solar, em diferentes substâncias e órgãos de acumulação do vegetal, é que determina as possíveis rotas tecnológicas para sua conversão em biocombustíveis. As reservas energéticas da cana-de-açúcar (sacarose, celulose, lignina) se localizam principalmente nos colmos. Como na síntese de carboidratos (celulose e sacarose), os vegetais requerem 60% menos energia do que para a síntese de gorduras ou lipídios, por unidade de massa de produto fi nal. As rotas de produção associadas ao biodiesel são menos efi cientes energeticamente do que as do etanol. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografi a e Estatística (IBGE), a produção de cana-de-açúcar no Brasil, insumo na produção de etanol e açúcar,passou de 89 milhões de toneladas em 1975 – colhidas em 1,9 milhão de hectares, para 648,9 milhões de toneladas em 2008 – colhidas em 8,14 milhões de hectares, representando um aumento de produtividade, no período, de 70%. O mercado estima que a produção possa alcançar 800 milhões de toneladas já em 2014 que, caso seja mantida a mesma produtividade, serão colhidas em aproximadamente 10 milhões de hectares. A tecnologia do uso do etanol de cana-de-açúcar no Brasil é a forma mais efi ciente e sustentável de utilização de combustíveis de primeira geração, ou seja, oriundos da sacarose dos colmos. Comparando com o etanol de milho dos EUA, assim como o de trigo e de beterraba da Europa, o custo aqui é de duas a quatro vezes menor, sem contar os subsídios internos e barreiras alfandegárias impostos por outros países como proteção às indústrias locais, de forma a evitar a importação de etanol brasileiro, e o Balanço Energético, que é pelo menos seis vezes mais favorável. Atualmente, o etanol produzidoda cana-de-açúcar substitui, a preços competitivos, a metade da gasolina que seria consumida no Brasil. As pesquisas atuais buscam combustíveis de segunda geração, ou seja, obtidos do etanol extraído a partir da celulose presente em resíduos como o bagaço e a palha da cana. No caso do Brasil, a vantagem competitiva se deve à disponibilidade da matéria-prima e da infraestrutura instalada da indústria canavieira. Além disso, segundo a Dra. Elba Bon, do Instituto de Química da UFRJ, os impactos ambientais da segunda geração de biocombustíveis serão sensivelmente menores, já que o bagaço da cana é um resíduo da produção de etanol, não representando a sua utilização, portanto, em um aumento na emissão de Gases do Efeito Estufa (GEE). Adicionalmente, essa tecnologia pode ser utilizada com uma ampla variedade de matérias-primas, criando uma expectativa de aumento da provisão de energia renovável para o setor de transportes, se utilizada com resíduos bastante comuns no campo, tais como: grama, lixo, estrume, palha e resíduos fl orestais, bem como plantas inteiras. Um ponto constante nas discussões internacionais sobre a produção de biocombustíveis é a competição por áreas com a produção de alimentos. O Brasil, mais uma vez, está numa posição confortável, pois segundo o Censo Agropecuário 2006 – IBGE, apenas 1% (ou 3,4 milhões de hectares) das terras aráveis é utilizada para o cultivo de cana-de-açúcar com o objetivo de produzir etanol. Para se ter uma idéia, o Brasil ainda dispõe de 106 milhões de hectares (30%) de terras aráveis, ainda não cultivadas. Somase a isso o fato de o Brasil deter um quarto das reservas globais de água doce na superfície e no subsolo, o que lhe permite o cultivo irrigado em larga escala. MUDANÇAS CLIMÁTICAS E FONTES RENOVÁVEIS DE ENERGIA: Na edição anterior (nº 2) publicamos, na página 18, a matéria sobre Mudanças Climáticas e Fontes Renováveis de Energia, de autoria dos doutorandos em Planejamento Energético Marcio Giannini Pereira e Carlos Henrique Duarte, na qual foi cometido um erro no terceiro parágrafo que mencionava a participação dos produtos de cana-de-açucar na oferta interna de energia. Esses produtos foram colocados em 20º lugar em 2007, quando na realidade ocupavam o segundo lugar, atrás apenas do petróleo e seus derivados. Assim, desculpando-nos pelo erro cometido, reproduzimos abaixo o trecho da matéria em que o erro foi cometido: Um estudo recente divulgado pelo Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) indicou que os impactos do aquecimento global podem ser dramáticos. Apesar de haver diferenças entre as consequências ... Hoje, o Brasil se coloca em posição privilegiada perante os demais países, tendo uma janela de oportunidade... Em relação à biomassa, é clara a expertise nacional, tendo em vista a implantação do maior programa de biomassa líquida do mundo, sendo hoje o Brasil segundo maior produtor mundial de etanol, com 28 bilhões de litros (2008). Internamente, os produtos da cana-de-açúcar já assumiram, em 2007, o 2º lugar na participação na estrutura de oferta interna de energia, atrás apenas do petróleo e de seus derivados.
No mundo são produzidos mais de 50 bilhões de litros/ano, em 15 milhões de hectares, ou cerca de 1% da área agrícola de 1,5 bilhões de hectares, segundo o estudo do BNDES em 2008 “Bioetanol de Cana-de-Açúcar: Energia Para o Desenvolvimento Sustentável”. Porém, cabe lembrar que no Brasil a energia renovável tem lugar de destaque na matriz energética com 45,4% em 2008, enquanto, no mundo, 12,9%, e nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), apenas 6,7%, em 2006.Por outro lado, enquanto o Departamento de Energia NorteAmericano (DOE) tem investido bilhões de dólares, através de seu Programa de Biomassa, em pesquisa e desenvolvimento em biocombustíveis, especialmente de segunda geração, no Brasil as iniciativas ainda são tímidas e fragmentadas entre governo e setor privado. Hoje, apesar da imensa vantagem comparativa, o Brasil é o segundo maior produtor de etanol do mundo, sendo os Estados Unidos o maior, por mais inefi ciente que seja a produção americana: custo mais alto, balanço energético amplamente desfavorável e nível de produção mantido ao custo de subsídios e de barreiras tarifárias à entrada do etanol brasileiro de primeira geração, não devemos, nem podemos, fi car também em segundo lugar, na corrida pela segunda geração, pois, mais uma vez, nossa vantagem comparativa na produção de biomassa pode nos propiciar grande vantagem competitiva no futuro mercado global de biocombustíveis. Carlos Henrique Duarte Mestre em Engenharia Elétrica, Doutorando em Planejamento Energético (COPPE/UFRJ) e Analista Sênior da ASM Ambiental.. Márcio Giannini Pereira Economista, Mestre e Doutorando em Planejamento Energético (COPPE/UFRJ). |
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